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O Aspecto Social da Dor | Blog Wu Xing TerapiasEste é o último de uma série de três artigos sobre os três aspectos da dor. Os outros dois dizem respeito ao aspecto físico e ao aspecto psicológico da dor.

Toda dor tem um aspecto social bastante importante. Ele diz respeito a como os outros vão perceber a dor que a pessoa está sentindo. “Devo demonstrar a dor ou não? Quais são as implicações sociais se souberem que estou com muita dor? E se eu esconder a minha dor, serei visto como uma pessoa forte? Qual é o benefício disso?” Estas são apenas algumas perguntas que podemos fazer em relação ao impacto que o aspecto social da dor tem em nós.

Muitas pessoas conseguem extrair vantagens destas situações, por exemplo ao demonstrar muita dor, a pessoa pode ter mais atenção de seus familiares e amigos. Não é raro encontrar pessoas que querem se livrar da dor, mas inconscientemente não querem, pois pensam que se não tiverem dor, perderão a atenção que hoje recebem. Por ser um processo inconsciente, se torna muito difícil da pessoa perceber este comportamento e por consequência conseguir se livrar da dor.

Valorizar ou esconder socialmente a dor acrescenta duas novas perspectivas ao quadro citado no artigo da dor psicológica. Valorizar ou esconder a dor estão no nível social, porém, junto a ele também age o aspecto psicológico. Logo aqui temos 8 possibilidades.

Além disso, o ato de valorizar ou esconder a dor são conceitos em si ambíguos, afinal alguém pode valorizar a dor para se mostrar mais forte ou para se mostrar mais frágil, ao mesmo tempo que outra pessoa pode esconder a dor com medo de parecer fraco de mais ou parecer que a dor que sente não é forte o suficiente para justificar qualquer reclamação.

Nesse caso as possibilidades aumentam e ficam mais complexas:

Quadrante 1

Culpa a si mesmo, aumenta a intensidade da dor e a valoriza socialmente.
A pessoa do quadrante um é aquela que faz a dor parecer maior do que realmente é, e faz questão de mostrar a todos como está sofrendo, mas não culpa ninguém por isso, atribui sua dor às dificuldades de sua própria vida. A pessoa pode estar buscando por aprovação social, mostrando quão forte é, ou mostrando como sua vida é sofrida. Às vezes falta para essa pessoa a percepção de que a vida de todos nós é complicada. Se ela perceber isso, vai mudar seu comportamento.

Quadrante 2

Culpa o outro, aumenta a intensidade da dor e a valoriza socialmente.
A pessoa do segundo quadrante é aquela que reclama de tudo, e a culpa é sempre dos outros. Tudo o que acontece de ruim em sua vida é culpa dos outros. Nesse caso a pessoa também tende a explorar isso no sentido de mostrar o quão forte é ou como é difícil ser ela, quando todo mundo está tentando derrubá-la. Normalmente essa pessoa precisa compreender que as pessoas têm interesses diferentes e que ninguém está aqui para servir exclusivamente a ela, logo, é normal que alguém faça algo que a gente não gosta.

Quadrante 3

Culpa a si mesma, valoriza a dor porém diminui seu impacto.
Essa é a pessoa que quer mostrar que é forte de verdade. Ela expõe socialmente que sente dor, porém mostra que é forte negando sua intensidade. Frequentemente as pessoas do quadrante 1 mudam para o 3 e depois voltam ao 1, dependendo da situação e do seu interesse. A única diferença é que uma expõe a dor e a outra esconde.

Quadrante 4

Culpa o outro, valoriza socialmente mas diminui a intensidade da dor
A pessoa do quadrante 4 se confunde com a pessoa do quadrante dois. Às vezes não é interessante demonstrar a intensidade da dor. Ainda assim, ela culpa o outro e valoriza socialmente. São casos mais raros, afinal, se alguém está sentindo dor, está afirmando para os outros que sente a dor, parece ser contraditório minimizar sua intensidade. Porém essa atitude pode mostrar uma característica de paciência, de força ao suportar a dor que o outro causa.

Quadrante 5

Culpa a si mesmo, esconde socialmente e aumenta a intensidade
Este é um indivíduo com alta propensão a sofrer de estresse, depressão, síndrome do pânico entre outros. Normalmente são pessoas de baixa auto estima, sedentárias e mais solitárias. É importante que este tipo de pessoa se exercite, a atividade física libera hormônios como a serotonina e a ocitocina responsáveis pela sensação de felicidade e pertencimento. Além disso, uma psicoterapia para aprender a falar sobre o que a aflige também é uma ótima estratégia para aprender a lidar com suas próprias emoções.

Quadrante 6

Culpa o outro, esconde socialmente e aumenta a intensidade da dor.
Esta pessoa é a vítima silenciosa. Por não extravasar e não expor seus sentimentos a pessoa que está nesse quadrante tem grandes chances de desenvolver problemas psicológicos mais sérios, como ansiedade, estresse, depressão e até sociofobia em casos mais graves. É a pessoa que acredita que a culpa é dos outros, ela aumenta a intensidade da dor, mas guarda pra si. É quase uma bomba-relógio. Para estes casos recomendamos a psicoterapia para que a pessoa aprenda a observar, compreender e expor seus sentimentos.

Quadrante 7

Culpa a si mesmo, esconde socialmente e nega a intensidade da dor
Assim como a pessoa do quadrante 5, essa pessoa também é uma forte candidata a quadros como ansiedade e depressão por não externalizar. A diferença é que essa pessoa nega o efeito da dor, o que o faz não procurar ajuda e isso pode piorar o quadro.

Quadrante 8

Culpa os outros, esconde socialmente e nega a intensidade da dor
Esse também é um comportamento preocupante pelo fato da pessoa negar a dor que sente e não procurar ajuda. O pior é que além de negar a dor, ela não expõe seu sofrimento e em seu íntimo culpa os demais por suas mazelas. Esse é um comportamento também bastante complicado de se lidar.

É importante lembrar que nem todas as pessoas se encaixam em uma destas oito categorias. Nós nos comportamos de maneira diferente em ambientes diferentes, mudamos o comportamento também dependendo das etapas de nossas vidas.

Além disso, ninguém está preso a uma única categoria, é possível evoluir, amadurecer e por isso há a chance de ir de um quadro a outro e até mesmo deixar estes padrões de comportamento para trás.

Este artigo não tem a pretensão de encerrar todas as possibilidades de cada comportamento. O objetivo aqui é apenas apontar estes padrões e suscitar o debate. Outros aspectos da dor social poderão ser investigados no futuro.

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